No país do futebol, normalmente as grandes histórias permeiam as jornadas de grandes nomes. Dedicação, foco e muita superação estão sempre em voga quando feito um retrospecto daqueles que já viveram a glória que o esporte pode proporcionar. Nos grandes e nos pequenos centros, jovens cheios de sonhos superam qualquer obstáculo para chegar aonde sempre sonharam.
Na zona Leste de Manaus não é diferente. Esbanjando talento e superando obstáculos dolorosos em sua vida, Alexandre Jordão continua firme em seu sonho de ser um jogador de futebol. Sem uma de suas pernas -amputada quando ele tinha apenas quatro anos de idade-, ele hoje busca recursos para participar do Campeonato Brasileiro Série B de futebol para amputados.
Conhecido apenas como “Perneta da ZL”, Alexandre demorou a aceitar a condição que acabou sendo-lhe imposta. Após o acidente, ele se mudou para o interior do estado do Pará, onde com a ajuda de uma amiga ele conseguiu aceitar a nova condição e passou a ter um outro olhar sobre a sua vida.
Hoje, Alexandre é inscrito por uma equipe para o maior campeonato de peladas do mundo, o Peladão. Defendendo as cores do atual Amigos do Tubinha, ele contou ao A CRÍTICA como foi que chegou a uma das mais expressivas equipes de futebol amador.
“Quando eu voltei para Manaus em 2016, eu comecei a treinar em um clube. Eu ainda não sabia jogar futebol, mas eu comecei a treinar no Campo da Trave Amarela, no Novo Israel (Bairro de Manaus), foi o primeiro lugar que comecei a jogar, torneios e etc.. Então eu fui morar no bairro São José e passei a treinar no Zezão. A partir de então, me chamaram para jogar no CAZ (Clube Atlético Zezão), eu ainda treino com eles até hoje. Quando o CAZ se aliou com o Godão, o pessoal do Amigos do Tubinha viram o meu futebol e me chamaram para participar da base”, ele prosseguiu:
“Para mim é uma honra jogar pelo Tubinha. Mas eu só vou entrar para jogar na segunda fase do Peladão. Como já tinha encerrado as inscrições, não tinha mais vagas. Mas eu tô treinando e para a segunda fase eu vou entrar para jogar”.
Campeonato Brasileiro
Com uma condição excepcional, Alexandre passou a procurar equipes para poder atuar. Diante de sua busca por um clube profissional para atuar, ele encontrou o SSA Amput, equipe baiana fundada em 2021 e que sagrou-se campeã da Copa Norte-Nordeste de Futebol para amputadas, principal competição brasileira do circuito.
Busca por patrocínios segue sendo desafio
O gestor da carreira de Alexandre, Sonny Ferreira, conversou com o CRAQUE e explicou que tem tido muitas dificuldades para angariar recursos para custear a viagem do paratleta. Sonny frisa que por se tratar de uma condição especial é ainda mais custoso encontrar patrocínios e fez um longo desabafo.
“Patrocínio para o paradesporto é tão difícil quanto o desporto convencional. A ausência de políticas públicas, que não há verbas de origem alguma, não chega para contemplar atletas como o Alexandre. Pra você ter noção, ele tem uma chance de disputar uma competição Norte-Nordeste por uma equipe do Nordeste. Falta a passagem e não há, até o presente momento, ninguém que chegue e diga: ‘Professor Sonny, aqui é o fulano, peça pro Alexandre entrar em contato que nós daremos a passagem dele’. Infelizmente todo o paradesporto depende da ajuda de pessoas que se sensibilizam com a verdadeira peregrinação, de um atleta prata da casa, que pode chegar a seleção brasileira”, finalizou Sonny.
Mesmo com todas as dificuldades, Alexandre não deixa de acreditar. No final da entrevista, em tom otimista, o paratletas deixou uma mensagem de motivação para qualquer pessoa que sonha em alcançar os seus objetivos, por mais difícil que possa parecer.


