Da Redação Online Multimídia
Após a denúncia do portal Online Multimídia sobre a Eneva S/A, responsável pela Usina Termelétrica Azulão, estar aliciando moradores de Silves (a 266 quilômetros de Manaus) a cederem terrenos para exploração de gás natural, a empresa emitiu uma nota nesta segunda-feira, 20, afirmando que mantém um compromisso de longo prazo com a região e que visa impulsionar a economia local.
No documento, a empresa disse que o Complexo do Azulão tem projeção de gerar aproximadamente 5 mil empregos diretos e indiretos, decorrentes do investimento de R$ 5,8 bilhões. A Eneva salienta ainda que tem ampliado a utilização do gás em substituição a combustíveis mais poluentes, visando democratizar o acesso a uma energia confiável e acessível, ao mesmo tempo em que foca na melhoria do índice de progresso social e na conservação da Floresta Amazônica.
Sobre o questionamento da reportagem em oferecer maiores oportunidades para pessoas de fora de Silves e Itapiranga, a Eneva ressaltou que não há limitações ou diferenciação na contratação entre os moradores das duas cidades e que a empresa reafirma seu compromisso em absorver mão de obra local “que possua condições necessárias para atuar na companhia, considerando critérios como qualificação, preparo, currículo e capacitação técnica”.
“No início deste ano, a empresa implementou um programa de formação técnica, oferecendo cursos na área de gás e energia em parceria com o Governo do Estado do Amazonas e a prefeitura de Silves. Os cursos terão duração média de três anos. Foi assinado termo de cooperação técnica entre o governo do Amazonas e a Eneva para a reforma e adequação da Escola Estadual Agobar Garcia, em Silves (a 240 quilômetros de Manaus), para se tornar a futura Escola de Formação Técnica de Gás e Energia do Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam).”, diz trecho da nota.
Confira a nota completa
“A Eneva mantém um compromisso de longo prazo com o desenvolvimento da região norte, especialmente o estado do Amazonas. Desde o início de nossa atuação nessa área, ampliamos a utilização do gás em substituição a combustíveis mais poluentes, visando democratizar o acesso a uma energia confiável e acessível, ao mesmo tempo em que focamos na melhoria do índice de progresso social e na conservação da Floresta Amazônica. O Complexo Azulão tem projeção de gerar aproximadamente 5 mil empregos diretos e indiretos, decorrentes do investimento de R$ 5,8 bilhões.
Ressaltamos que não há limitações ou diferenciação na contratação entre os moradores de Silves e de Itapiranga. A empresa reafirma seu compromisso em absorver mão de obra local que possua as condições necessárias para atuar na companhia, considerando critérios como qualificação, preparo, currículo e capacitação técnica. No início deste ano, a empresa implementou um programa de formação técnica, oferecendo cursos na área de gás e energia em parceria com o Governo do Estado do Amazonas e a prefeitura de Silves. Os cursos terão duração média de três anos. Foi assinado termo de cooperação técnica entre o governo do Amazonas e a Eneva para a reforma e adequação da Escola Estadual Agobar Garcia, em Silves (a 240 quilômetros de Manaus), para se tornar a futura Escola de Formação Técnica de Gás e Energia do Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam).
Nossa iniciativa visa impulsionar a economia local por meio da contratação de profissionais da região. Nossos números confirmam o sucesso nesse sentido: 60% da nossa equipe é composta por profissionais do Amazonas, sendo metade proveniente das regiões de Silves e Itapiranga. Além disso, trabalhamos para fortalecer os fornecedores locais, priorizando a aquisição de produtos e serviços de empresas e prestadores nas regiões em que operamos.”
Relembre
No último sábado, 18, o Online Multimídia publicou reportagem mostrando relatos de moradores insatisfeitos e com receio da empresa na cidade de Silves. A primeira produtora de gás na Bacia do Amazonas, a empresa Eneva S/A, se instalou no município de Silves no ano de 2018 com a promessa de trazer investimento e mudar a vida das pessoas, mas a realidade relatada pela população, cinco anos depois, tem sido outra.
Segundo denúncias enviadas à reportagem, após a inauguração da Unidade de Tratamento de Gás (UTG), em 2021, cuja unidade faz parte do projeto integrado Azulão-Jaguatirica em Silves para a exploração do gás natural, o que se vê no município é falta de investimento e ameaças de pessoas ligadas à empresa contra moradores.
Um dos casos relatados pela reportagem foi o suposto aliciamento sofrido por moradores. De acordo com a população, a Eneva tem oferecido cerca de R$ 3,5 mil para alugar terrenos para que possa fazer a instalação de tubulação de gás natural na região. O valor seria pago anualmente, somente para que a estrutura possa ficar nos locais.
Por necessitar da quantia, mesmo que não seja bem recebido pela maioria, alguns moradores acabam aceitando o acordo. Outros, inconformados com o valor, relatam que têm receio de negar a oferta da Eneva e avaliam aceitar.
Na região onde fica o terreno, localizada na estrada da Várzea de Silves, vivem desde produtores rurais e até moradores carentes, o que pode facilitar o acordo e a “vitória” da Eneva.
Após a publicação da reportagem, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) da Prelazia de Itacoatiara entrou em contato com o Online Multimídia e disse que já tomou ciência do caso. O órgão é uma instituição civil, sem fins lucrativos, criada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
Em outubro deste ano, segundo outros sites de Notícias, a CPT denunciou que pessoas ligadas à Eneva têm rondado comunidades próximas ao empreendimento, com armas em punho e verbalizando ameaças de morte a lideranças indígenas e de comunidades tradicionais.


