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Trump x Lula: cúpula do G7 amplia tensão diplomática entre líderes

A participação dos presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva na cúpula do G7, realizada em Évian-les-Bains, na França, acabou ampliando ainda mais a tensão diplomática entre os dois líderes.

Apesar do breve cumprimento mediado pelo presidente francês, Emmanuel Macron, as declarações públicas feitas após o encontro deixaram evidente o desgaste nas relações entre Brasília e Washington, já que o bate e rebate acabou se transformando em uma espécie de “lavagem de roupa suja” diplomática.

 

O atrito entre os dois governos tem como pano de fundo o incômodo dos EUA com o sistema de pagamentos brasileiro, o Pix, a classificação de facções criminosas brasileiras, PCC e CV, como organizações terroristas pelos norte-americanos e a possibilidade de imposição de tarifas adicionais sobre produtos do Brasil.

 

Orgulho diplomático desfeito por Macron

A tensão começou a ganhar destaque ainda durante a tradicional “foto de família” da cúpula do G7, realizada na terça-feira (16/6). Ao chegar ao local, Lula cumprimentou alguns dos líderes presentes, mas não interagiu com Trump. Os dois chegaram a passar próximos um do outro durante o registro oficial, sem trocar cumprimentos diante das câmeras.

Horas depois, segundo informações noticiadas pelo Metrópoles, na coluna de Igor Gadelha, o clima entre os presidentes foi amenizado durante um evento social promovido à margem da cúpula. O encontro entre Lula e Trump teria sido articulado por Emmanuel Macron no hotel onde os chefes de Estado estavam hospedadosO momento, porém, não foi registrado por fotos ou vídeos.

 

Após a conversa, os dois seguiram para o jantar de gala oferecido pelo governo francês aos líderes participantes do encontro.

 

Críticas ao Brasil e perseguição política contra Bolsonaros

Já nesta quarta-feira (17/6), durante entrevista coletiva após o encontro, Trump confirmou que conversou com Lula e afirmou que o Brasil estaria se tornando “um país um pouco duro e perigoso politicamente”.

 

“Sim, [falei com Lula]. [O Brasil] está se tornando um país duro politicamente. Um pouco perigoso politicamente. Está meio desagradável”, declarou o presidente norte-americano ao ser questionado sobre a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas e sobre as tarifas adicionais discutidas pelos EUA.

Ao comentar o cenário político brasileiro, Trump também confundiu o pré-candidato à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que atualmente reside nos Estados Unidos. O norte-americano criticou o que classificou como perseguição política contra integrantes da família Bolsonaro.

“Escutei que eles prenderam alguém que está concorrendo para cargo público. Eles prenderam o Bolsonaro Jr., que estava indo bem nas pesquisas. Eles o prenderam porque ele fez uma declaração no Texas. Ou eles querem prendê-lo. Eles estão jogando duro”, afirmou.

Eduardo Bolsonaro vive atualmente no Texas, enquanto Flávio é pré-candidato do grupo bolsonarista para disputar a Presidência da República em 2026.

 

Lula rebate declarações de Trump

Horas depois, em Genebra, na Suíça, Lula respondeu às falas de Trump. O presidente brasileiro afirmou que o norte-americano não tem o direito de interferir em assuntos eleitorais do Brasil e defendeu o respeito à soberania entre os países.

“Eu acho que ele tem o direito de ter as preferências eleitorais dele, as preferências ideológicas dele. Eu só espero que ele não fira o Código de Ética entre as nações que querem ser respeitadas em sua soberania. Só espero isso. Para mim, ele pode continuar gostando do Bolsonaro, do pai, do filho, do neto, não tem problema. É um problema dele. Afinal de contas, gosto não se discute. Agora, não se meta nas eleições do Brasil, porque as eleições do Brasil são um problema do Brasil”, declarou Lula.

O presidente brasileiro também afirmou que Trump deveria “aprender” com o Brasil a realizar eleições mais tranquilas. Lula voltou a defender o sistema de votação por urnas eletrônicas, posição que já havia manifestado anteriormente durante conversas reservadas que vieram a público.

 

Instantes depois, Lula criticou a postura dos EUA nas negociações com o Brasil sobre tarifas e no combate ao crime organizado. Segundo o presidente brasileiro, Trump fez uma “coisa desaforada” e “continua agindo como um imperador”.

“Eu não pedi bilateral ao Trump porque nós estamos em negociação. Eu acho que o que ele fez foi uma coisa desaforada com o Brasil. É por isso que eu disse que ele continua agindo como um imperador. Nós estávamos fazendo acordo. O Mauro Vieira e meu ministro do Comércio estão tratando com o ministro do Comércio dele. Estamos negociando”, afirmou.

As falas dos dois líderes escancaram o atual clima de desgaste nas relações entre Brasil e os EUA, marcado por divergências políticas e comerciais que se acumularam nos últimos meses e ampliaram as tensões entre os dois governos.

 

 

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