Brasília – A tadalafila, medicamento indicado originalmente para o tratamento da disfunção erétil e de condições urológicas, tem se tornado cada vez mais popular entre homens jovens no Brasil. Conhecida popularmente como ‘tadala’, a substância passou a ser consumida de forma recreativa por quem busca potencializar o desempenho sexual ou até mesmo por frequentadores de academias que acreditam sem qualquer comprovação científica que o remédio favorece o ganho de massa muscular.
O crescimento vertiginoso no consumo acendeu o sinal de alerta entre urologistas. Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) revelam uma explosão nas vendas: em 2025, foram comercializadas 74,9 milhões de caixas do remédio no país, superando as 64,7 milhões registradas em 2024. O número impressiona ainda mais quando comparado a 2015, há dez anos, quando o volume era de apenas 3,2 milhões de caixas.

Embora as estatísticas oficiais não detalhem a faixa etária dos compradores, médicos relatam que a busca por receitas e o uso sem orientação em consultórios entre jovens é uma realidade crescente, facilitada pelo fácil acesso ao produto nas farmácias.
Médicos reforçam, no entanto, que não existem evidências de que o fármaco traga qualquer benefício físico ou melhora no desempenho de homens saudáveis.
Para o coordenador do Departamento de Andrologia, Reprodução e Medicina Sexual da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), Gustavo Marquesine Paul, os riscos vão muito além dos efeitos físicos.
O especialista explica que, embora a tadalafila não provoque dependência química, o consumo frequente cria uma dependência psicológica. Com o tempo, o homem passa a acreditar que só é capaz de ter uma ereção ou manter um bom desempenho se estiver sob o efeito da pílula, gerando ansiedade e perda de confiança natural.
Quando prescrita e acompanhada por um médico, a tadalafila é considerada segura. Porém, o uso indiscriminado pode provocar reações adversas frequentes, como dores de cabeça intensas, dores musculares (principalmente na região lombar), congestão nasal e rubor facial (vermelhidão) e azia e desconforto gástrico.
Em casos mais graves e raros, o paciente pode apresentar priapismo (ereção dolorosa com duração superior a quatro horas), alterações repentinas na visão e audição, além de quedas severas na pressão arterial.
O perigo aumenta significativamente quando a medicação é combinada com álcool, energéticos, anabolizantes ou suplementos sem procedência. A mistura pode desencadear taquicardia, tonturas e reações imprevisíveis. Além disso, o uso é estritamente contraindicado para pacientes que tomam medicamentos à base de nitratos para problemas cardíacos, sob risco de colapso circulatório.
O avanço do consumo entre jovens saudáveis reflete diretamente a cultura da “alta performance” alimentada pela internet. De acordo com o médico Gustavo Paul, influenciadores digitais passaram a tratar a tadalafila como se fosse um pré-treino ou suplemento alimentar, banalizando a medicação.
A isso soma-se o impacto do consumo de pornografia, que estabelece padrões irreais de duração e rigidez erétil, levando jovens sem qualquer disfunção a recorrerem a atalhos químicos desnecessários.
A substância atua inibindo a enzima fosfodiesterase tipo 5 (PDE-5), promovendo o relaxamento dos vasos sanguíneos e facilitando o fluxo de sangue na região genital durante a estimulação.
Além da disfunção erétil, o medicamento é indicado para Hipertensão Arterial Pulmonar e Hiperplasia Benigna da Próstata (HBP).
Fonte: D24am.


