Da Redação Portal Online Multimidia
Uma apreensão de aproximadamente R$ 1,25 milhão em espécie, realizada em maio de 2025, no Aeroporto Internacional de Brasília, deu origem a uma investigação que culminou, mais de um ano depois, na Operação Dinastia do Lago, deflagrada pela Polícia Federal nesta quarta-feira (16).

Na ocasião, três empresários amazonenses,César de Jesus Glória Albuquerque, Erick Pinto Saraiva e Vagner Santos Moitinho ,foram abordados pela Polícia Federal após desembarcarem de um voo procedente de Manaus. O dinheiro estava acondicionado em malas e foi identificado durante a fiscalização.

Segundo reportagem publicada pelo Metrópoles na época, os empresários afirmaram que eram proprietários de empresas que prestavam serviços a prefeituras e que o dinheiro seria proveniente de pagamentos realizados por órgãos públicos. Eles disseram ainda que estavam em Brasília para adquirir insumos e realizar pagamentos a fornecedores.
Empresas e conexões políticas
Entre as conexões citadas estava a de Erick Pinto Saraiva, ligado à empresa Saraiva Comércio de Confecção Ltda. Segundo o Metrópoles, a empresa recebeu R$ 93,5 mil da campanha de Mário Abrahim, então candidato à Prefeitura de Itacoatiara nas eleições de 2024, por serviços de publicidade e materiais impressos.
A empresa também recebeu R$ 64 mil da campanha de Mário Jorge Bouez Abrahim e R$ 29.520 da direção municipal/comissão provisória do Republicanos em Itacoatiara.
As informações divulgadas à época se referiam a registros de prestação de contas eleitorais. A existência desses pagamentos, por si só, não demonstra irregularidade eleitoral ou criminal.
Investigação avançou
Depois da apreensão do dinheiro, a Polícia Federal aprofundou as apurações sobre a origem dos recursos e as relações entre empresários, empresas e agentes públicos.
De acordo com a PF, as investigações evoluíram até a apuração de uma possível atuação coordenada entre empresários, agentes públicos e terceiros, envolvendo suspeitas de direcionamento de licitações, desvio de recursos públicos e movimentações financeiras destinadas, em tese, ao pagamento de vantagens indevidas e à ocultação da origem e dos destinatários dos valores.

Operação Dinastia do Lago
Nesta quarta-feira (16), a Polícia Federal deflagrou a Operação Dinastia do Lago, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).
Ao todo, 29 mandados de busca e apreensão são cumpridos em Manaus e Coari, além de medidas cautelares e afastamento de servidores públicos. O foco oficial da operação é investigar possíveis fraudes em licitações, desvio de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro relacionados à gestão municipal de Coari.

A PF informou que a investigação teve início justamente a partir da apreensão dos R$ 1,25 milhão transportados pelos três empresários no voo entre Manaus e Brasília, em maio de 2025.
Segundo a corporação, os fatos investigados podem configurar, em tese, os crimes de organização criminosa, fraude à licitação, corrupção, peculato e lavagem de dinheiro.

Mário Abrahim
O nome do prefeito de Itacoatiara, Mário Abrahim, aparece nesse contexto por causa das relações financeiras identificadas pelo Metrópoles entre a empresa ligada a Erick Pinto Saraiva e a campanha eleitoral do prefeito em 2024.
O Portal Online Multimídia também ouviu Mário Abrahim sobre o assunto. O prefeito afirmou que a empresa dos empresários mencionados prestou serviços ao município de Itacoatiara.
Até o momento, a Polícia Federal não informou que Mário Abrahim ou a Prefeitura de Itacoatiara sejam alvos da Operação Dinastia do Lago.
MATERIALIDADE APREENDIDO OPERAÇÃO DINASTIA DO LAGO




