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EXCLUSIVO: O Tribunal em Xeque: As Ligações Políticas do Chefe do TRE de Itacoatiara

Da Redação Portal Online Multimídia| Por: Luan Dolzanes

ITACOATIARA (AM) – A Justiça Eleitoral, cuja missão é garantir a neutralidade e a lisura dos processos democráticos, encontra-se sob intensa desconfiança no município de Itacoatiara, interior do Amazonas. O nome de Diego Gabriel Ferreira da Silva, chefe do 3º Cartório Eleitoral da cidade, figura no centro de uma série de denúncias e indícios em que o mesmo colocam em dúvida sua isenção funcional e a credibilidade do Tribunal Regional Eleitoral e levantam suspeitas de ligação direta com o grupo político comandado pelo prefeito do municipio de Itacoatiara, no interior do Amazonas.

O conjunto de fatos, imagens e omissões delineia um cenário preocupante: a Justiça Eleitoral local parece ter se rendido à influência política de um grupo familiar que há 5 anos domina a máquina pública da cidade. Em ano eleitoral, esse suposto alinhamento ameaça comprometer a credibilidade de um dos pilares fundamentais da democracia: o voto livre e transparente.

Imagens comprometedoras e sinais de favorecimento político

Em um dos registros que circulou em grupos locais de mensagens e redes sociais, Diego Gabriel aparece na casa da mãe do prefeito Mario Abrahim, com uma camisa amarela apoiada no ombro, cor-símbolo da campanha de reeleição do mandatário municipal. A cena, aparentemente informal, ganha contornos graves por envolver uma autoridade da Justiça Eleitoral em um ambiente doméstico e simbólico de uma das candidaturas em disputa.

Em outra imagem, Diego está em uma embarcação, participando de um momento de lazer ao lado de Thiago Abrahim, deputado estadual e filho do prefeito e amigos. A confraternização é vista por opositores e por parte da população como uma evidência de relações próximas demais entre o servidor público e agentes políticos interessados diretamente no resultado das urnas.

Urnas na caçamba e transporte irregular: um alerta que passou em branco

Em meio à campanha, um vídeo veio à tona mostrando urnas eletrônicas sendo transportadas de forma irregular, na caçamba de um carro comum, sem qualquer tipo de proteção, lacre ou identificação oficial. O caso gerou alvoroço em Itacoatiara e levantou questionamentos sobre a cadeia de custódia dos equipamentos de votação.

O Ministério Público do Amazonas (MP-AM), após vistoria, informou que os equipamentos ainda não haviam sido carregados com dados oficiais e estavam aptos para o uso. A empresa contratada para o serviço foi apenas notificada, apesar de o contrato prever rigor logístico e segurança total no transporte. A atuação do cartório eleitoral local, sob responsabilidade de Diego Gabriel, foi considerada branda por juristas e adversários políticos.

Compra de votos ignorada: combustível, benefícios e silêncio institucional

Durante a campanha eleitoral de 2024, o Cartório Eleitoral de Itacoatiara foi alvo de várias denúncias formais e informais relacionadas a compra de votos, abuso de poder político e uso da máquina pública.

As denúncias incluem:

  • Transporte de centenas de litros de gasolina para comunidades rurais, com indícios de distribuição gratuita em troca de votos;
  • Abordagens em frente à Policlínica Municipal, onde, segundo imagens e testemunhos, eleitores recebiam vantagens em troca de apoio ao grupo político ligado a Abrahim.

Em todos esses casos, o cartório eleitoral manteve silêncio absoluto. Não houve abertura de procedimentos públicos, ações fiscalizatórias ou encaminhamentos para investigação. A omissão foi interpretada como conivência. “Era como se estivesse tudo blindado. As denúncias simplesmente sumiam. Diego não atuava com a imparcialidade que se espera de um chefe do TRE”, relatou um anonimato por medo de retaliações.

O caso Nilda Abrahim: jurisprudência ignorada?

Outro ponto sensível envolve a candidatura de Nilda Abrahim, cunhada do prefeito Mario Abrahim. A legislação eleitoral brasileira veda a candidatura de parentes de prefeitos no mesmo município, salvo em casos de reeleição direta, o que não era o caso. Apesar disso, sua candidatura foi aceita, deferida pelo TRE sob a chefia de Diego Gabriel, e ela acabou sendo eleita, diplomada e empossada como vereadora.

 

Especialistas em direito eleitoral ouvidos por nossa reportagem apontam que a decisão afronta jurisprudência pacificada do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e pode configurar violação direta à legalidade e ao princípio da impessoalidade na administração pública.

Silêncio institucional e permanência intocada

Mesmo diante de indícios tão explícitos de parcialidade e envolvimento político, Diego Gabriel Ferreira da Silva permanece no cargo, sem afastamento ou qualquer sinal de investigação por parte do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM).

Enquanto isso, cresce entre cidadãos, juristas e lideranças comunitárias o clamor por uma intervenção externa, vinda do Ministério Público Federal ou do próprio TSE, para investigar as conexões entre o cartório eleitoral de Itacoatiara e a estrutura política de Mario Abrahim.

Um retrato da fragilidade institucional

A situação de Itacoatiara é um microcosmo do que pode ocorrer quando a Justiça Eleitoral perde sua neutralidade e passa a ser percebida como parte de uma engrenagem de poder local. O caso expõe fragilidades institucionais, riscos de captura política e a urgência de reforçar mecanismos de controle, fiscalização e transparência nos municípios do interior, onde a proximidade entre autoridades e lideranças políticas costuma ser maior, e mais perigosa.

A democracia, já enfraquecida por disputas polarizadas e campanhas violentas, não pode correr o risco de ser tutelada por interesses particulares, nem tampouco ter seus agentes eleitorais transformados em peças no jogo do poder.

A sociedade civil, os partidos de oposição e o eleitor de Itacoatiara merecem respostas. Mais do que isso: merecem justiça, imparcialidade e eleições verdadeiramente livres.

Que a justiça seja feita, o povo Itacoatiarense acredita nela!

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