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Juiz autoriza Eneva a construir gasoduto em terrenos particulares

Magistrado entendeu que ação dos donos de rejeitar negociações pelo uso da terra não poderia prejudicar a coletividade

Juiz Roberto Santos Taketomi, da Vara Única da Comarca de Silves. (Foto: Acervo/Tjam)

A Justiça do Amazonas autorizou a empresa de energia Eneva S.A a construir um gasoduto sob terrenos particulares no município de Silves (distante 307 quilômetros em linha reta de Manaus).

A empresa alegou que ofereceu propostas a 24 proprietários alcançados pela obra, mas dois não aceitaram, por isso, ingressou com a ação judicial. A informação foi publicada inicialmente pelo site Amazonas Atual e confirmada pela reportagem de A Crítica.

A decisão liminar (em caráter provisório) é assinada pelo juiz Roberto Santos Taketomi, da Vara Única da Comarca de Silves. Para o magistrado, a obra é de interesse público e a conduta dos proprietários que não aceitaram o acordo com a empresa não pode prejudicar a coletividade. Ele argumentou que essa possibilidade está prevista no Decreto-Lei 3.365, de 1941, que trata sobre desapropriação de terras por utilidade pública.

“Não se deve perder de vista o interesse público encerrado na pretensão da parte autora (Eneva), que busca com a medida levar à realização de obras que trarão benefícios para a população local”, escreveu o magistrado, na decisão.

Na ação judicial, a Eneva alegou que a construção do gasoduto é importante para o pleno funcionamento das usinas termelétricas Jaguatirica II, em Roraima; e UTE Azulão, UTE Azulão II e UTE Azulão IV, no Amazonas. A tubulação ligaria os poços produtores de gás à Unidade de Tratamento do Complexo Azulão 950, localizado em Silves.

O juiz do caso autorizou a expedição do mandado de imissão provisória na posse, o que significa que a empresa terá o direito de uso da terra, apesar de não ser a proprietária, com autorização para início das obras do gasoduto.

A decisão também autoriza o uso de força policial, caso necessário, e prevê multa de R$ 1 mil por dia, até o máximo de R$ 30 mil, caso os proprietários dos terrenos resistam ao cumprimento da medida. O juiz ressalta que, neste momento da ação, é limitado o uso da terra pela Eneva.

“O determinado acima [autorização para uso da terra] fica expressamente proibido em áreas que afetem diretamente a subsistência do proprietário particular, como casa onde exerce a moradia, plantio e afins que promova única fonte de sustento e entre outras causas que deixem o réu ao relento, indo claramente em contrário aos preceitos constitucionais”, destaca.

Utilidade pública

Em nota enviada a A Crítica, a Eneva S.A afirmou que o projeto da companhia foi considerado de “utilidade pública” pela Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP). Além disso, que a companhia tentou chegar a acordos com os proprietários afetados, mas sem sucesso.

“O projeto compreende uma extensão de quase 20 km, abarcando 24 propriedades, das quais, apenas dois proprietários não aceitaram proposta feita pela companhia, mesmo diante da insistência nas negociações com os proprietários das respectivas áreas. Importante destacar que a proposta inicialmente ofertada pela companhia considerou os valores praticados no mercado”, diz a empresa, que não informou qual quantia propôs aos proprietários após questionada via assessoria de imprensa.
“Os proprietários, devidamente representados por advogados nas negociações, rejeitaram a proposta, ofertando valor que desconsiderava as premissas técnicas de avaliação e NBR vigentes. O projeto foi considerado de utilidade pública pela ANP”, finaliza a manifestação da companhia.

A reportagem procurou os dois proprietários de terras afetados pelo empreendimento, mas não foi possível localizar contatos telefônicos. O mesmo aconteceu em tentativas de contato com os advogados que representam ambos. O espaço continua aberto para manifestações.

Exploração

Em março, a Eneva S.A anunciou o início das obras de construção do Complexo de Azulão, em Silves. O investimento previsto é de R$ 5,8 bilhões, com previsão para geração de 5 mil empregos no pico da obra.

O evento contou com a participação do governador Wilson Lima (UB) e do diretor-presidente do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), Juliano Valente, responsável por autorizar as licenças para o projeto.

A previsão é que o complexo Azulão 950 passe a operar em 2026 e tenha potencial para gerar 950 megawatts (MW). Atualmente, a empresa já possui o projeto Azulão – Jaguatirica, que retira gás natural de Silves para ser utilizado como matéria para produção de energia na usina de Jaguatirica, em Roraima.

 

Fonte: ACRITICA*

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