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Defensoria Pública solicita indenização de R$ 1 milhão a mãe alvo de at4ques virtuais após tragédia familiar

A Defensoria Pública do Estado de Goiás ingressou com uma ação civil pública na Justiça estadual contra diversos veículos de comunicação nacionais e regionais, solicitando indenização de R$ 1 milhão por danos morais coletivos em favor de Sarah Araújo, mãe das duas crianças que foram mortas pelo ex-marido em Itumbiara, interior de Goiás. 

O processo, proposto pelo Núcleo Especializado de Defesa e Promoção dos Direitos da Mulher (Nudem), tramita na 31ª Vara Cível de Goiânia. A Defensoria argumenta que reportagens, publicações e comentários divulgados por esses veículos teriam ampliado a exposição da vítima e deslocado o foco da brutalidade do crime para aspectos da vida pessoal de Sarah, gerando o que foi classificado como “linchamento virtual” e revitimização em meio ao luto.
Segundo a ação, conteúdos veiculados teriam incluído imagens e um vídeo em que a mãe aparece em situação particular, material que, de acordo com o processo, teria sido gravado por um detetive contratado pelo ex-marido. A Defensoria afirma que Sarah já não mantinha relacionamento com ele no momento dos fatos. 
A ação requer ainda a retirada imediata dos conteúdos considerados ofensivos, retratação pública pelos veículos e a aplicação de multa diária em caso de descumprimento. O pedido de indenização, se acolhido, será revertido a um fundo público.
Entre os veículos mencionados no processo estão a Globo, CNN Brasil, Record, SBT, Metrópoles, portais regionais como G1, Diário da Manhã, Mais Goiás Notícias, Televisão Anhanguera, TV Serra Dourada e Jornal Opção.  Algumas emissoras informaram que não foram formalmente notificadas ou negaram a publicação de determinados conteúdos até o momento.
O caso que motivou a ação ocorreu na madrugada de 12 de fevereiro, quando o ex-marido de Sarah, identificado como Thales Machado, teria matado os dois filhos — de 12 e 8 anos — e, em seguida, cometido suicídio. A tragédia ganhou ampla repercussão nacional e está sendo investigada pelas autoridades policiais como duplo homicídio seguido de suicídio. 
A Defensoria alega que, após a divulgação dos conteúdos, Sarah sofreu ataques virtuais e hostilizações públicas, inclusive durante o enterro das crianças, situação que exigiu escolta policial, e que a cobertura dos fatos sem moderação adequada de comentários contribuiu para o agravamento da situação.

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