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Empresa dona de jatinho usado por Flávio Bolsonaro é investigada por suspeita de lavagem de dinheiro

A empresa argentina Baires Fly S.A., proprietária do jatinho utilizado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para viajar aos Estados Unidos após a derrota nas eleições presidenciais, é citada em uma investigação sobre suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro na Argentina. A aeronave transportou o parlamentar e sua família até Miami, nesta quarta-feira (28), após uma viagem que passou pelo território argentino.

Segundo informações publicadas pela Folha de São Paulo, a Baires Fly aparece em uma investigação judicial sobre possíveis irregularidades em contratos da Agência Nacional de Deficiência da Argentina (Andis), órgão responsável por políticas públicas destinadas às pessoas com deficiência. Os investigadores apuram se pagamentos realizados por empresas fornecedoras da agência foram posteriormente movimentados por meio de faturas de serviços aeronáuticos.

 

O empresário Sergio Daniel Mastropietro, ligado à Baires Fly, é apontado nas investigações como suspeito de participar da movimentação dos recursos. Conforme reportagens da imprensa argentina, ele teria fornecido dados bancários da companhia para receber transferências e, posteriormente, emitido documentos comerciais correspondentes aos valores recebidos.

Crise no governo Milei

O caso ganhou repercussão na Argentina em 2025, após a divulgação de gravações com denúncias de supostos pagamentos de propina envolvendo fornecedores da Andis. O escândalo levou à demissão de Diego Spagnuolo, então diretor da agência e ex-advogado do presidente argentino Javier Milei.

 

As suspeitas incluem possíveis irregularidades na contratação de medicamentos e insumos médicos destinados ao atendimento de pessoas com deficiência. A investigação busca esclarecer se empresas foram favorecidas nos contratos e se parte dos recursos públicos foi movimentada por meio de outras companhias para ocultar sua origem.

A Baires Fly é citada nesse contexto pela suspeita de utilização de faturas de serviços aéreos para justificar transferências financeiras. A participação da empresa e de seus responsáveis ainda é objeto de investigação.

Viagem de Flávio Bolsonaro

O avião utilizado por Flávio Bolsonaro é um Gulfstream G400, de matrícula argentina LV-JQW, fabricado em 2004. Segundo informações divulgadas pela imprensa, a aeronave pertence à Baires Fly e está anunciada para venda. O valor estimado de mercado para exemplares usados do modelo varia entre R$ 37 milhões e R$ 48 milhões.

A viagem ocorreu após a derrota de Flávio Bolsonaro para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25). O senador deixou o Brasil em meio a investigações que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF).

Entre os procedimentos está um inquérito que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo o parlamentar e o advogado Willer Tomaz. Flávio também é investigado em outro procedimento relacionado ao financiamento de uma cinebiografia de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, com recursos que teriam sido negociados com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O senador nega irregularidades nas investigações relacionadas ao financiamento do filme.

Até o momento, as informações divulgadas sobre a investigação argentina não estabelecem participação de Flávio Bolsonaro no suposto esquema envolvendo a Baires Fly. A apuração diz respeito às atividades financeiras da empresa e de pessoas ligadas a ela, independentemente da viagem realizada pelo parlamentar.

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