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Ex-padre é condenado a 24 anos de prisão por est#prar mais de 60 crianças

O ex-padre Bernardino Batista dos Santos, 78 anos, foi condenado a 24 anos e nove meses de prisão por estupro de vulnerável contra mais de 60 crianças em Minas Gerais. A sentença, divulgada nesta semana, representa o primeiro desfecho judicial de um caso que se arrastava há décadas e que chocou comunidades católicas no interior do estado. O juiz responsável também determinou o pagamento de R$ 30 mil por danos morais — valor considerado simbólico diante da extensão dos crimes.

Bernardino foi afastado da Arquidiocese de Belo Horizonte em 2021, quando denúncias começaram a ganhar volume e consistência. Segundo investigações, as vítimas tinham entre 3 e 11 anos e participavam de atividades organizadas pelo religioso em um sítio no município de Tiros, região do Alto Paranaíba.

Quatro décadas de abuso em ambiente controlado

Conforme o Ministério Público e a Polícia Civil, os crimes ocorreram entre 1975 e 2016, sempre com o mesmo padrão: crianças ligadas à Igreja eram levadas a um sítio sob o discurso de recreação e evangelização. Em meio a excursões, encontros e eventos comunitários, o ex-padre se aproveitava da vulnerabilidade dos menores.

A investigação aponta que parte dos abusos se repetia durante retiros e viagens com grupos de catequese. Vítimas relataram manipulação psicológica, chantagens emocionais e uso da posição religiosa para silenciar qualquer suspeita. O primeiro registro formal, porém, só veio a público quando a denúncia mais recente chegou à polícia, em agosto de 2025.

O caso que destravou a investigação

O estopim para retomada do caso foi o relato de uma criança de apenas 4 anos, violentada em 2016 durante a festa de casamento realizada no sítio usado pelo religioso. A família procurou autoridades em 9 de agosto de 2025, o que desencadeou a abertura de um inquérito mais robusto.

Com o caso sob holofotes e outras pessoas encontrando coragem para depor, denúncias acumuladas ao longo dos anos voltaram à mesa — muitas feitas por adultos que só recentemente entenderam que haviam sido vítimas na infância.

Prisão, soltura e julgamento em liberdade

Bernardino chegou a ser preso em 23 de outubro de 2024. Contudo, pouco mais de um mês depois, em 28 de novembro, a Justiça autorizou sua soltura. Os argumentos acolhidos à época incluíam idade avançada, problemas de saúde e o longo período entre parte dos crimes e o início do processo criminal.

Mesmo respondendo em liberdade, o ex-padre passou a usar tornozeleira eletrônica e ficou proibido de manter contato com vítimas e parentes, além de não poder se aproximar das comunidades onde atuou.

Decisão ainda não encerra o caso

A condenação é de primeira instância e ainda pode ser contestada. A defesa de Bernardino deve recorrer para tentar reduzir a pena ou anular elementos do processo, alegando fragilidades nos depoimentos colhidos décadas após os supostos fatos. Até o momento, não houve manifestação pública dos advogados.

Para familiares das vítimas, a sentença é considerada uma vitória parcial: enquanto muitos celebram o reconhecimento judicial, outros afirmam que ainda falta responsabilizar estruturas religiosas que, segundo eles, teriam ignorado sinais ou abafado informações ao longo dos anos.

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