Uma pesquisa realizada por cientistas do Instituto Karolinska, na Suécia, identificou uma possível relação entre a menopausa em idade mais avançada e uma melhor preservação da saúde dos vasos sanguíneos do cérebro. Os resultados foram publicados na revista científica Neurology, na quarta-feira (4).

O estudo analisou 352 mulheres e identificou que aquelas que passaram mais tempo na fase reprodutiva apresentaram menos sinais de alterações nos pequenos vasos sanguíneos cerebrais aos 70 anos.
Segundo os pesquisadores, a cada ano adicional entre a primeira menstruação e a menopausa, houve uma redução aproximada de 8% na probabilidade de apresentar dois ou mais sinais de alterações nesses vasos.
Outro ponto observado foi que mulheres que utilizaram terapia hormonal durante a menopausa também apresentaram indicadores de melhor preservação de algumas estruturas cerebrais, incluindo a substância branca, responsável pela comunicação entre diferentes regiões do cérebro.
Os cientistas acreditam que a exposição ao estrogênio ao longo da vida possa ter alguma relação com a saúde cerebral durante o envelhecimento. Esse hormônio desempenha funções importantes no organismo feminino e também participa de processos ligados à circulação sanguínea e ao funcionamento do cérebro.
Pesquisa exige cautela
Apesar dos resultados, os pesquisadores ressaltam que o estudo não comprova que a menopausa tardia ou a reposição hormonal sejam responsáveis pela proteção dos vasos cerebrais.
Por se tratar de uma pesquisa observacional, foram identificadas associações, mas não uma relação direta de causa e efeito. Os autores também destacam que os resultados não justificam recomendar terapia hormonal como forma de prevenir Alzheimer ou demência.
A descoberta amplia as discussões científicas sobre os efeitos das mudanças hormonais no envelhecimento feminino e reforça a importância de novas pesquisas sobre a relação entre menopausa e saúde cerebral.


